Blog do Edilson


08/10/2011


Romance

 Uma Composição é  uma reunião de elementos isolados que, quando unidos, resultam em um todo destacado das partes; 

No transporte ferroviário, uma composição ferroviária, trem ou comboio consiste em um ou vários veículos (carruagens ou vagões), ligados entre si e capazes de se movimentarem sobre uma linha ou trilho, para transportarem pessoas ou carga de um lado para outro, seguindo uma rota previamente planejada. (wickipedia)

Qual a sua definição para "A Composição" leia e me diga...

Escrito por Edilson Fernandes às 09h07
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A Composição

A composição

 

A paisagem viaja rápida pela janela, o cheiro de fuligem desponta ocre em nossos narizes, todavia ninguém liga, estamos acostumados. -Standã! Standã!- É o hit mais ouvido no único lugar onde todos dançam apesar dos fones de ouvido. O trem! Um universo à parte, um lugar tão particular quanto à própria particularidade, quanto à própria singularidade.

No aperto da hora do rush pessoas se vêem diariamente por anos a fio, algumas  formam pequenas famílias de desconhecidos se encontrando todos os dias sem nada falarem ou esboçarem, outras se comportam solitariamente aglomeradas em grupinhos próximos aos bancos que conversam e compartilham dos mais variados assuntos, mas todas são  miríades de vida e emoções, todas são eternos passageiros.

            No penúltimo carro  do  “cinco pras seis” três fantasmas, posicionados cada um em uma porta do vagão, misturam-se aos passageiros, aliás, pergunto eu: Quem dentro de uma composição não poderia ser um fantasma?

            Ali estavam eles, com a mesma postura comum aos passageiros, esperando o que todos num trem esperam. A estação que irão descer. Seria esta a essência da esperança?

             Vejamos José Viana o primeiro fantasma.

             “Sente aqui moça!”, falou José Viana  num certo dia de sua vida, é que ele sempre cedia seu lugar a pessoas que precisavam, nunca demorava mais do que uma estação para o moço de quarenta e tantos anos acenar para alguém substituí-lo no assento. “Quer que eu segure sua bolsa?” disse a mocinha, outra passageira da esperança que passou a frequentar aquele horário por conta do novo emprego. Assim Zé Viana passou, se por gentileza não sei, se por interesse também não, a sempre dar um jeitinho de ceder seu lugar para Jandira, moça formosa no auge de seus trinta e tantos anos. Não demorou para que  ambos se enamorassem e se  portassem como casal, tambem não demorou para que ambos se declarassem casados  cada qual com outro parceiro. Sim! Ele era casado há 18 anos com uma mulher  20 anos mais velha e contava com a esposa doente há três ou quatro anos qual tinha nele o único a lhe dar esteio e carinho. Já Jandira se declarara infeliz no seu casamento, dois filhos, marido  violento e mulherengo, o que lhe rendera outros dois rebentos cada qual  de relacionamentos extra conjugal, mas que não viviam com ela, “Sou muito dependente dele!” dizia sempre a rósea mulher. O tempo passou e o coração de José Viana insuportavelmente reclamava, cada vez mais, seu amor, as escapadas íntimas do casal se davam ao longo dos estabelecimentos próximos as estações. “Não agüento mais, vamos assumir nossa condição!” falou José Viana, “Vamos embora pra Aracaju, eu tenho um dinheirinho guardado, lá eu tenho irmãos e...”, “João! João! Não! Você esta louco? E sua mulher? Quem vai cuidar dela? E Meus filhos?  Eles são muito apegados a mim! Não João! Não podemos!”, “ Olha só Jandira! Este é o símbolo do meu amor por você, amor  pelo qual estou disposto a largar tudo”. João Viana abriu uma caixinha exibindo uma aliança de ouro, um sorriso largo se fez no coração da moça durante aquela noite, tanto que nem seu marido a tirou do sério, mas a decisão veio após seu filho mais velho de 21 anos dizer, após uma discussão sobre como ela compraria um carro para ele, “Pôa mãe! Comprar um carro pra mim é sua obrigação, a senhora não comprou um para o pai?Então! È seu papel de mãe, sua obrigação! O menor de quinze e o marido juntaram forças para extorquir, como sempre fizeram com ela, anos de trabalho árduo e infinitas viagens de trem ao serviço, este é um dos efeito que os parasitas com quem ela convivia trazem. Claro!Eu  não te disse que o marido e os filhos não trabalham e nem estudam, outro desgosto da mulher que alem de sustentá-los tem de cuidar da casa não obtendo nem uma ajuda sequer.  

           No dia seguinte Jandira foi decidida e mudar de vida de vez, “Danem-se bando de Xupim egoístas! ”, só que o destino não sabia dos planos dela e nem de João Viana, o dia seguinte passou e os demais também, é que João Viana nunca mais apareceu, Jandira se tocou  que pouco sabia da vida dele, o celular não atendia mais, os email não eram mais respondidos... ele sumiu. Sumiu! Mesmo mudando de emprego, a agora soturna e abandonada moça, continuava a freqüentar o mesmo horário acariciando o anel de ouro presenteado  esperando ver seu amor retornar e salvá-la do inferno em que vivia... Ah! Ela comprou o carro para o filho!

            Ana Rosa é o segundo fantasma.

            Nerd de corpo e alma, seu desempenho alto em sala de aula era a fuga para sua necessidade de aprovação pelos outros, seu corpo sem forma, seu rosto feinho e seu jeito de vestir e falar sempre rendeu chacotas desesperadoras e cruéis. “Não é assim também pessoal! Pô! Pega leve com a menina! Na hora de fazer trabalho de biofísica é ela que salva a vida de todo mundo né!Ô Manézada viu!”, “Bom! Lá isso é né Altino!”. Altino era o galã da turma, o centro das atenções e dos suspiros, o moço andava de trem por pura escolha, pois seu padrão de vida era mais que suficiente para não precisar disto, “É no vagão do trem que cultivo minhas melhores amizades, o vagão do carro é para outras coisas!” dizia sempre. O dois amigos que sempre voltavam em bando para casa no horário dos estudantes, no “dez e quinze”, passaram a se encontrar também no  “cinco pras seis” a caminho da faculdade. Altino começou a perceber que por trás daquela timidez e retração havia não uma adolescente, mas uma mulher madura e decidida,  suave nas pétalas e agressiva nos espinhos dos talos. Ana Rosa, por sua vez, viu que o moço era um “nerd”  enrustido,  não era tão formoso como pintavam, é que ele era arrumadinho e bem cuidado. “Muito de sua beleza esta no bolso não é Altino?”, “KKKKK! É uma vantagem que tenho sobre a sua beleza né Rosa? KKKK!”. Eles não se sentiam ofendidos com observações ácidas desde que estivessem sozinhos, o que acontecia  no penúltimo vagão do “cinco pras seis”.

            Quem ficou muito bolada com o coração foi a Ana Rosa, não admitia estar envolvida com o cara mais requisitado da turma, sentia que o conhecia há milênios, ele era “perfeito”, apesar dos “defeitos”. Ela não falou  para Altino, mas foi a primeira vez dela , foi maravilhoso, nunca podia imaginar o quanto a felicidade era completa com ele, já Altino tomava por certo que ela era a mulher de sua vida e com ela deveria assumir uma vida mais consistente. A gravidez dela caiu como a um tsunami, sem avisar, violento e arrebatador. Altino pulava de alegria, mas ela parecia que carregava um enorme penedo do mais puro granito nas costas, “Altino por favor,  não fale pra ninguém por enquanto, vai! Por favor?”, “Já não basta esconder nosso namoro, sei lá porque, e você ainda me pede pra esconder algo tão importante pra mim?”, “É que é tudo tão confuso sabe? É você, é meus planos pro futuro.. eu...eu..”, “...Eu não estou nos seu planos não é?”, “É! Qué dizê! Não! Ahhh! Sei lá! Só me dá um tempo pra eu colocar a coisas no lugar”. Estas foram as últimas palavras que Altino ouviu de Ana Rosa.

 “ Altino! Altino! Sabe a Ana Rosa?”, “O que tem ela?”, “Morreu cara!”, “ O quê?”, “Morreu no sábado cara!”, “Como assim? Tá de brincadeira moleque!”, “É sério mano!”. Altino não acreditava, já tinha achado estranho que a Ana não havia ligado desde a última conversa que tiveram na quinta, a ficha só veio a cair quando todos comentavam o ocorrido. “Então cara! Diz que ela ficou tipo grávida e tentou um aborto numa clínica lá! E depois, tipo, passou mal, foi pro hospital e morreu de infecção generalizada! Tipo!O enterro foi no domingo ontem! Tá ligado!”, Altino continuava mudo como um furacão, o som dos trilhos do trem  urravam por seu coração, as lágrimas foram inevitáveis, os amigos não estranharam sua reação pois sempre foi muito emotivo. Não sabiam que eram tão ligados. “ E você viu cara! No jornal deu que ela, na verdade não estava tipo grávida, entendeu? E que mesmo assim a clínica lá fez a operação...o que as pessoas não fazem por dinheiro não é? Tipo! Seilávelho! Mó sinistro!”.

Altino agora pega o “cinco pras seis”  como tributo a pessoa que ele mais amou,  “As coisas são mais do que as próprias coisas podem ser”, dizia ele sempre que entrava no penúltimo vagão.

 

Dona Leopoldina, o terceiro fantasma.

“Ahhh Filha! Meus netos já estão criados, meus filhos também e eu quero mais curtir minha aposentadoria, não vejo a hora!”, “Tá bom que você vai parar trabalhar e ficar só com a aposentadoria! Você Penha? Mais fácil é  galinha criar dentes!”, “Então você vai ver Leopoldina, eu sumo no mundo, afinal eu mereço né! Quarenta e cinco anos nesta vida neste mesmo horário, peloamordedeus né! Ninguém merece já cumpri minha penitência!”, “Rsrsrsr! Então você vai me deixar mesmo? Né Penha!”. Um ar de tristeza tomou forma no olhar vago entre Leopoldina e Penha que passaram a contemplar a paisagem que vista do trem nunca se fixa, um pouco como as vidas dos passageiros, que só se fixam em seus destinos. “Você é nova ainda Leopoldina, é uma velha bonita cheia de energia ainda e...”, “Penha! Tenho algo a te confessar”, “Fala menina! O que é? Vai fala logo!”, “Eu ti amo!”, “Rsrsrsrsrs! Eu também te amo amiga!rsrsrsr”, “Não Penha! Eu te amo de verdade, não como amiga ou parceira de trem, mas de verdade mesmo! Me desculpe, meu amor, mas tinha que dizer, principalmente agora que nos veremos menos e depois destes anos todos juntas me bateu um desespero!”. Penha não fez o discurso esperado, sempre houve algo no ar, ela ficou olhando a amiga que desviava o olhar envergonhado. “Isto não tem cabimento Leopoldina! Somo duas velhas, logo logo você tambem vai estar se aposentando e...”, “Não desconversa Penha!”.

Leopoldina, 60 anos, avó e prestes a perder a mulher que ama. Penha, 59 anos, avó e prestes a se aposentar. È isto! Simples como o nascer do sol e é claro que no dia seguinte estavam as duas conversando alegremente e para os olhares mais atentos as duas estavam mais íntimas, discretas, mas íntimas. Assumiram sua condição e suas conversas giravam sobre seus planos que tomavam outro tom... “E nossas famílias?”, “O que tem?” , “Como o que tem Leopoldina? Já não será fácil assumir nossa condição perante as pessoas imagine perante nossos filhos e netos! Já pensou quando souberem que duas velhas resolveram mudar de opção sexual”, “E desde quando tivemos opção sexual Penha! Pensa bem! Sempre tivemos as opções dos outros, primeiro nossos falecidos e que o diabo os tenham em mal lugar, depois nossas obrigações com os filhos  e hoje com os netos! Porque, fala sério vai? Se deixarmos as meninas sozinhas não sei o que seria deles não é? E ainda tem os genros que são uns...”, “...Tátata! Já entendi, mas isto não muda nada e a pressão será muitos grande !”, “Vamos ficar bem Penha, vai dar tudo certo, e depois nossa cambada é dependente demais de nós pra ficar chiando e quanto aos outros... que se danem!”.

Escrito por Edilson Fernandes às 08h34
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A composição - epílogo

 

E foi assim que elas contornaram a situação, por conta da relação de conveniência e dependência que todos nas duas famílias tinham para com suas matriarcas, “Quem não tiver de acordo pode pegar seus panos de bunda e viver suas vidas que já vão tarde!”, berrou Leopoldina a todos que tentaram esboçar qualquer contrariedade. Como sempre, Penha aguarda Leopoldina na plataforma onde para o penúltimo vagão do “cinco pras seis”, “Ela vai amar a aliança de noivado que eu comprei”, pensou a enamorada mulher. Leopoldina surge ao longe, correndo com a face do desespero estampada em seu rosto “Pega ladrão!” gritava  a senhora em meio a multidão. A alguns passos na frente e entre ela e  sua amada estava um jovem correndo e abrindo caminho, Penha pode ver bem o rosto dele, nunca o esqueceria desde então, com o intuito de não perder o  dinheiro de seu pagamento Leopoldina reúne forças e acaba alcançando o ladrão para então começar a brigar com ele ante aos olhos atônitos dos passageiros postados como dormentes na plataforma, Penha sai correndo para ajudar a amiga, “Pelamordedeusalguemacudaela!”, alguns passageiros tomam coragem e se aproximam rapidamente, mas o meliante da um giro a arremessa a pobre Leopoldina nos trilhos, ela bate a cabeça e vem a falecer sob os olhos atônitos de todos. O ladrão foge levando o pagamento que Leopoldina recebera.

Penha não tem alternativa a não ser continuar a pegar o trem no mesmo horário e lembrar dia a dia a morte da única pessoa a quem verdadeiramente amou “Leopoldina!”.                      

 Sexta-feira, o “cinco e quarenta” esta atrasado a  estação esta lotada, todos  se apertam para lutar por um lugar, enquanto o “Cinco pras seis” encosta, o empurra empurra é  ritualístico, sempre do mesmo jeito, é  cada Deus pra si e nós por nós mesmos.

 Penha senta, mas oferece seu lugar para uma menina grávida que chegou perto dela. O quê? Homens gentis? Mas quá! Nem pensar! Um cheiro de nostalgia bate forte no coração de senhora que imediatamente estica o pescoço  a procura da inconfundível fragrância que Leopoldina sempre usava, “ Mas que diacho! O que?Leopoldina?É você?”, Penha viu  o fantasma de Leopoldina por uns instantes até que, ao olhar atentamente, enquanto tentava chegar até a amada que partira tragicamente, reconheceu o assassino daquele dia, ele estava parado imediatamente a frente do fantasma de Leopoldina que acenava sorrindo para sua amiga como se despedindo sob uma nesga de raio do sol da tarde daquele dia. Penha tambem sorri e acena, o rapaz acha que é com ele e acena de volta sem se dar conta de quem era aquela mulher. Num flash como que saída de um transe Penha volta a si e  começa gritar “Assassino!Assassino!”, outras  pessoas  tambem reconhecem o homem.

Sentada no banco próximo à porta e alheia a toda movimentação  Jandira pensa em José Viana, nem percebe que o assassino a toma pelo braço fazendo-a refém com uma arma na cabeça, “Não importa!” pensou a moça, “Seria até bom que ele me matasse e acabasse com este sofrimento! Onde você esta meu amor?”, era a única pergunta que ela fazia desde o sumiço do amado. Tumulto, gritaria, seguranças e policiais chegando, mas tudo é muito rápido, toda a ação relatada agora acontece em exatos 30 segundos. O algoz e a refém Jandira se acuam no lado do vagão em que as portas estão fechadas, Penha não para de berrar, gritar e chorar pedindo justiça. Jandira olha além da multidão que não se aproxima dos dois, dada a situação de morte que se instaurava ali,   seus olham localizam José Viana e uma esperança se fez, uma chama de alegria percorreu o corpo da mulher, ele estava ali no meio das pessoas era só atravessar o vagão e tê-lo novamente, José Viana Sorri para ela e  acena pedindo para que venha até ele, a dor da apatia e o medo de perde-lo novamente lhe acendeu o animo e então, de salto alto, pisa  fortemente nos pés do seqüestrador que a solta de imediato, ela grita “Meu amor! Meu amor!”. Jandira avança em direção a seu José Viana e contra a multidão que avança sobre o homem armado,  este  mira o revolver nas costas da donzela. Jandira nada vê ou ouve alem de José Viana poucos metros a sua frente.

Outro passageiro nosso conhecido também estava alheio a toda movimentação. Sim! Altino! Ele estava ali olhando para o vazio de toda aquela ação, aquilo não era com ele, “Sinto sua falta meu amor, volta pra mim!”, pensava ele naquele exato momento, mas não pode ficar sem levantar os olhos marejados e perceber Jandira passando ao lado dele tirando-o do caminho e interpondo-o entre o vilão armado e ela. Não era a arma, que anteriormente estava apontada para as costas de Jandira e agora para ele, que lhe chamou a atenção, mas a presença e o sorriso metálico de  Ana Rosa que se postara ao lado do bandido, que é claro, não a via. Ana Rosa não sorria, somente olhava Altino como quem pedisse desculpas e por um instante, que para ele fora uma eternidade, a  jovem moça esboçando um semblante característico do um limiar de luz e  sombra diz, “Eu ti amo! Me perdoe!”, Altino ouve claramente e sorri para ela dizendo “Tudo bem! ,Tudo bem! Porém havia uma realidade alternativa dentro dos  trinta segundos de eternidade. O forte rapazola percebeu que sua amada estava em perigo bem ao lado de um malfeitor que, agora sim, viu que lhe apontava uma arma, desta maneira sem pensar e para proteger sua amada Altino se atira e entra em combate com o homem. Dois tiros são ouvidos. Penha, que os alcançou, bate desesperadamente com sua bolsa na cabeça do algoz de sua amada e o segura para que ele não escape novamente, enquanto outros passageiros chegam para finalmente imobilizar o rapaz. Gritaria, polícia e ambulância que leva Altino às pressas para o hospital.

Jandira corre atrás de seu amado, mas o fantasma se perde na multidão, a única coisa que ela viu, foi o nome de uma empresa no paletó que José Viana usava e que ela nunca tinha visto. Isto fez Jandira encontrar o local de trabalho dele, uma empresa de segurança patrimonial. Com o coração aos pulos e já fazendo planos, Jandira fala com o chefe de José, “Há algum engano senhora! O José Viana que a senhora diz que viu outro dia não é o nosso Zé Viana não! Este é nosso herói aqui, ele tambem tem uma esposa muito doente e de cama  e tudo mais, mas ele morreu pouco tempo atrás num assalto a banco e olha que ele matou os bandidos, defendeu duas crianças, mas um dos infelizes atirou nele e...”. Jandira não sabia o que era pior, saber que o Zé Viana havia morrido ou se...! “Ao menos eu sei o que houve! Fica com Deus meu amor”, um perfume de rosas vermelhas, o preferido de José, invadiu o quarto da moça que meditava olhando o pôr do sol.

No dia seguinte Penha entra no “cinco pras seis” e diz “Obrigado meu amor! Agora eu entendo!”, Jandira entra e senta ao lado da senhora e ambas começam a conversar, Altino aparece mancando, os tiros acertaram a coxa e os ferimentos não foram graves, ele acena para elas do outro lado e assim seguem para casa como sempre fazem os passageiros do “cinco pras seis”. O brilho metálico do trem partindo contrasta com o sol que lança um brilho singular como uma benção que conforta os corações daqueles que viajam pela vida com suas bagagens sejam elas pesadas ou não.

Fim                                               

 

Escrito por Edilson Fernandes às 08h33
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